MUITA SONOLÊNCIA PODE SER SINAL DE DOENÇA

Se você só pensa em dormir, seja naquela aula enfadonha, na reunião com o chefe, no trânsito e até num show de rock, atente-se, pode estar sob efeito de um dos principais sintomas da narcolepsia – a vontade de dormir ininterruptamente!Confundida até de forma preconceituosa como “preguiça”, a doença acomete um em cada 2 mil indivíduos e tem um diagnóstico difícil. O problema pode demorar vários anos até ser corretamente diagnosticado. Como se não bastasse a quase apatia diante da vida, o portador  ainda sofre bastante com o estigma de dorminhoco e preguiçoso.

Fora de sincronia – Um grupo especial de neurônios do cérebro é responsável por comandar os estados de vigília e sono, ou seja, as funções “liga” e “desliga” do corpo. Por uma série de fatores que ainda não estão totalmente esclarecidos, os narcolépticos têm um déficit desses neurônios e, como consequência, têm o sono desregulado. Desta forma, além de “apagar” algumas vezes durante o dia, o portador geralmente tem problemas para dormir à noite, o que atrasa ainda mais o diagnóstico, pois ele acredita que a sonolência diurna é aceitável, já que passou por uma madrugada praticamente “em claro.

Sinais – Já que o principal indicativo da narcolepsia costuma ser confundido com preguiça, é importante ficar de olho em outros sintomas. Um deles é a cataplexia, presente em aproximadamente 60% dos casos, e que se destaca pela perda de tônus muscular geralmente bilateral e súbita, que pode causar a queda do paciente. A moleza no corpo, cuja duração é de até cinco minutos, costuma ocorrer após fortes emoções, como rir ou tomar um susto. A cataplexia é decorrente de uma característica importante da doença: a entrada brusca na fase REM do sono. Para se ter ideia, quem não tem narcolepsia em geral só atinge essa etapa depois de passar uma hora e meia dormindo.

Diagnóstico – Dormir repentinamente causa muito sofrimento aos narcolépticos. Além de cultivarem a fama de “mandriões”, podem se acidentar durante atividades que necessitem atenção constante, como nadar, dirigir, praticar esportes ou manusear máquinas. Por isso, diferentemente do que ocorre com outras doenças, receber o diagnóstico de narcolepsia é um alívio, pois o motivo do sono excessivo e fora de controle fica esclarecido. É importante frisar que a definição do quadro costuma vir somente após o paciente passar pelo exame de polissonografia, que avalia os fenômenos ocorridos durante o sono. Para realizá-lo é preciso dormir e passar um dia inteiro no local da avaliação.



Veja isso também!